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  • O mercado continua a assimilar os efeitos do aviso do BC

    13 de setembro de 2017
    Por Pedro Paulo Silveira e Alexandre Faturi

    Mercados Globais

     

    Ontem o índice S&P500 voltou a bater um novo recorde, chegando à máxima de 2.496,77 pontos. A combinação da percepção em relação à força da economia global e da manutenção dos juros baixos continuam aumentando o apetite dos investidores para o risco. Na esteira desse novo recorde, as bolsas da Ásia e da Europa continuam a subir, ainda que de forma menos intensa. Na Inglaterra, os dados do mercado de trabalho mostraram a menor taxa de desemprego em 42 anos e, apesar disso, uma taxa de crescimento de salários muito baixa, mostrando que não há pressão inflacionária. Na Zona do Euro os dados foram parecidos e vão mostrando um padrão para as economias avanças: forte criação de vagas de trabalho com salários mais modestos. No campo corporativo, a Apple anunciou o lançamento do IPhone X, que trouxe algum sentimento de decepção aos mercados, fazendo a maior empresa do planeta fechar em quase 0,5% de queda. As vendas de IPhone no último trimestre foram de 41 milhões de unidades e representam a principal receita da empresa.

     

    Brasil

     

    O mercado continua a assimilar os efeitos do aviso enviado ao mercado ontem pelo BC, através da Ata da última reunião do Comitê de Política Monetária. O BC indicou que pretende reduzir o ritmo de redução da taxa de juros dos atuais 1% para uma taxa menor. Se ele fizer isso, reduzindo a queda para 0,75% na reunião de outubro, a SELIC cairá para 7,5%. Se derrubar mais 0,5% em dezembro, o ano terminará com uma SELIC de 7%. Ainda assim será a SELIC mais baixa da história. Mas o BC ainda terá que lidar com um novo para a economia brasileira: os preços vêm caindo a uma velocidade ainda maior que o esperado pelo mercado e isso trará reflexos para a inflação de 2018. Os números recentes da FGV, da Fipe e do IBGE, mostram que os alimentos ainda estão em queda e, pelo seu peso, devem continuar a levar o IPCA para baixo. Não é pouco provável que a inflação feche no piso de nossa projeção para 2017, abaixo dos 3%. Para 2018, com a influência baixista de 2017, os preços devem ficar muito moderados. Vale lembrar que nossa economia ainda é muito indexada e isso faz com que a inflação de um ano seja muito influenciada pela inflação do ano anterior. Com inflação mais baixa em 2017, os reajustes de contratos de serviços, de aluguéis e de salários em 2018 serão menores. Assim, o BC terá uma projeção de inflação para 2018 ainda inferior que a atual, ao redor de 4,4% segundo o relatório Focus. Os juros para 2021 devem voltar a cair abaixo dos 8,80%, depois de terem subindo ontem até 9,02%. Veja o gráfico dos juros para 2021:

     

     

    As denúncias feitas contra o presidente Temer ainda devem reverberar sobre os preços mas, diante da baixa possibilidade de aprovação de uma investigação na Câmara, os seus efeitos serão muito limitados.

     

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